
Imagem de Job Holland
Penso que deve existir para cada um
uma só palavra que a inspiração dos povos deixasse
virgem de sentido e que,
vinda de um ponto fogoso da treva, batesse
como um raio
nos telhados de uma vida, e o céu
com águas e astros
caísse sobre esse rosto dormente, essa fechada
exaltação.
Que palavra seria, ignoro. O nome talvez
de um instrumento antigo, um nome ligado
à morte – veneno, punhal, rio
bárbaro onde
os afogados aparecem cegamente abraçados a enormes
luas impassíveis.
Um abstracto nome de mulher ou pássaro.
Quem sabe? – Espelho, Cotovia, ou a desconhecida
palavra Amor.
(Helberto Helder,“Poema”, III, A Colher na Boca [1960], Poesia Toda: 30- 32)

Nossa...Que bonito. A imagem está fantástica também! Amei!
ResponderExcluirBeijo
Esqueceu de indicar o autor, sua cabeça no ar! :)
ResponderExcluirBeijinho.
Sublime poesia que fala a alma e aos sentires.
ResponderExcluirBeijos doces de sol e de lua.
ResponderExcluirthx
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thank you
ResponderExcluirسعودي اوتو
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