terça-feira, 6 de janeiro de 2009

SOLSTÍCIO DE INVERNO


Da série Fotografia Neoconcreta, Silvio Zamboni, 1995

Em solstício me esqueço e permaneço
inerte, centrado, desabitado de “outrem
ninguém”, no solilóquio desfreqüentado,em precipício,
insulado, no artifício
de manter-se uno, desobrigado, inteiro
e poder bastar-se, derradeiro, e asilar-se.

No meu solipsismo radical de celibato
nem cultivo o recato, afinal presumido
possuo sem ser possuído, se possuído não
cultuo sentimentos, assumido temporão.


Não, não e não!!!
Eu me afasto do mundo
ao mais profundo desvão, nem por isso casto
pois a sina do recato me alucina
com sortilégios, impropérios e falsos remédios.


Antonio Miranda*


* Soneto heterodoxo escrito para o personagem Nelson Teixeira, poeta bissexto que aborda sempre temas alegóricos e escatológicos, da novela que Antonio Miranda está escrevendo atualmente.

3 comentários:

  1. Bonito.
    Sem contar que o solstício de inverno é uma das melhores datas para se celebrar a vida e o descanso.
    Ótimo Akasha.

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  2. Este blogue está a precisar de postagens sobre a cultura e mitologia célticas... ;)

    Beijinho, bruxinha do meu coração.

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©2007 '' Por Elke di Barros