quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

MISTÉRIOS DA NOITE


Noite escura adentra os mistérios da tua alma,
Expurga tuas sombras dentro desse absoluto infinito
No sentido contrário ao deosil, transmuta na chama
Do caldeirão as energias estagnadas que aqui deposito.
Deusa que atua na minha força ancestral
Venha com tua infinita sabedoria nos amparar
Seja a pedra, a vara, a faca e a taça elementa
lOs regentes das mansões estelares a nos restaurar.
Pela borda das nove pérolas da tua proteção
E pela inspiração fervida da prímula silvestre,
Transforme a prata e o visco desta infusão
Abençoando-nos em teu ventre, hoje e sempre!

Rowena Arnehoy Seneween ®

sábado, 13 de dezembro de 2008

OSTARA


Poção está pronta
E na água fervente borbulha a vida
Como no ventre da mãe terra
A semente toma forma divina
Na guerra o sol se embrenha
Vestindo a armadura iluminada
Nas trevas abre o caminho
Para o milagre da alvorada
Cinco-folhas no altar
Para em roda o mundo girar
E no perfume da flor dígna
A consorte gerar a mais tenra vida
Na mata se embrenham os coelhos
Guiados pela eterna sabedoria
Oster, a mãe etérea se materializa
Enchendo os campos de magia
E com timidez a TERRA recebe suas crias!
Escrito por Alexandre Martins

sábado, 6 de dezembro de 2008

OFERENDA


.
Que nossa mãe a terra se envolva
numa quádrupla túnica de farinha branca;
que se encha de flores de geada;
e além, em todas as montanhas cobertas de musgo,
de frio se acheguem os bosques uns aos outros;
e os braços das árvores se quebrem ao peso da neve,
e fique assim a terra:
- Esculpi os bastões da oração em forma de seres vivos.


América do Norte, Zunhis
Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro
(Tr.de Herberto Helder)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

INVOCAÇÃO A DEUSA COMO MÃE


Por Susan Stern

Mama!
Do meu coração,
Do meu sangue, mama
Eu invoco você...
Meu coração do seu calor
Membro do seu ventre
Água de sua água
Gruta de sua colina
Broto de sua primavera
Olhos de suas estrelas
Mama
Olhos do seu sol,
Mama
Do seu sol, mama
Meu espírito do seu sol
Mama
Venha, Mama!
Venha para o nosso circulo
Nosso ventre
Esteja conosco agora, mama
Faça-se presente agora!

domingo, 16 de novembro de 2008

DITO O VEREDITO


TORJA herege BRUXA ,
Que o mal tem como amuleto
E a Diabo como proteção.
Diga ao velho cristão
O arrependimento está em teu coração?
... E TAMBÉM A SALVAÇÃO.
Caro amigo FERNÃO
Como posso em sã ocasião
Entregar a ti a pérola de minha missão.
Que há de errado em ser pagão?
... A NATUREZA É QUEM DÁ A LIÇÃO!
Ora mulher murrinhaSabe bem qual a resposta
Não há sorte no pecado,
Apenas moléstia e predestinação...
... AO INFERNO!
Então porque ainda me interrogas?
Não faz parte dum inquisitor saborear a dor?
Não há justiça em tua saia negra
Apenas a ganância da certeza...
...DA PRÓPRIA DECADÊNCIA.
Vejo em ti jovem TORJA
A menina perdida em relva virgem
Prestes a morrer por uma causa
Que nem mesmo à ela verte...
...MAS A FALSA DEUSA!
Ora então salvais aqueles que indico.
Teu companheiro ali atrás
Que consigo trás apenas a morte
E no machado faz a injustiça dura e forte...
... SANGUE!
Não me deixas escolha TORJA
Se não condenar-te à ardente justiça
Encontrará em chamas a verdadeira sabedoria
Que Deus Pai tenha piedade de tua alma sofrida!
... ALELUIA!
Se minha pena é conjurar-me em pó
A tua é viver em eterna negligência.
Quando no leito da morte te encontrar
Então da TORJA irás lembrar,
Como àquela que o pai tornou a MATAR.
... JAMAIS DERROTAR.
Enquanto eu, maravilhosamente bela,
Estarei da TERRA novamente a brotar.
Amo-te ainda, mesmo neste duro pesar,
Aprenderás sem minha ajuda o que a vida pode lhe dar.
E na beira do abismo certamente meu nome gritarás...
... TORJA! TORJA!
Que assim seja insana filha
Pois nada mais posso de ti esperar
Verei com pesar o FOGO queimar...
... PODEM LEVAR!



Escrito por Alexandre Martins

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ode a Wicca



Densa floresta, guardiã de luzes,
De luares transparentes, azulados
Matizada pelas lúridas cores,
Fogueiras honrando antigos deuses
Ferem-me no peito.

Ocultos, para as ramagens inquietas,
Efervescendo, qual ordem dos ventos
Soprando, do abismo e do ignoto
Nos cânticos ancestrais se misturam,
Os ecos se propagam.

Livres corpos nus iluminados,
Beijos cândidos desferindo a Lua
Do Céu, testemunhado honras lunares
Vestindo prateado níveo manto
Colhendo estrelas.

Murmúrios solenes iniciam,
Antigos rituais e as pedras escutam
Transpirações noturnas no calor,
Dos cânticos, louvores à Natureza,
A vida celebrando.

Círculos de braços apontando,
Aos deuses atentos a quem ora
E fere a carne lançando na terra,
O sangue, florescendo à volta, o viço
Milagre verdadeiro.

Acesas tochas bruxuleiam, quando
Subitamente, quebrado silêncio,
Pelo primeiro grito, posse de outra
Alma sem somente ser a sua
Do sono despertando.

Frenética dança laboriosos transes,
Aspergindo odores quentes co' a frescura
Fundindo-se no odor celeste e puro,
Quando deuses caminham na terra
No olvido do Homem.

Oferendas, de sinceros cansaços
Honrando a celebração da vida,
Tão antiga quanto o nascimento
Ligando pontes entre o Céu e a Terra,
Torres de Gigantes.

E esparsos, caminhando lentamente,
Ao lar caminham leves como folhas
Guardando harmoniosa voz poemas,
Compostos pela Eterna Natureza
Assim cantam os Deuses...

António

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

TUATHA DE DANANN

Imagem: Fae on a Beltane Morn by Lance Oller,2004.


Beltane (tradução)


Nós desejamos saber, como isso tudo começou
O conhecimento do druida sabe que isso é só nosso passado
Mas a fogueira de Beltane continua queimando em nossas veias
Nós não podemos rejeitar nosso passado e nossos sonhos
Quando as chamas de Beltane brilharem de novo nesses dias
Nosso sangue correrá forte então
A prosperidade da terra está nas mãos de nossa rainha
Quando ela encontrar de novo o rei-gamo (na mit. Céltica, o chifre significa poder e virilidade)
Eles correrão na floresta para fazer a mais velha dança
O outono da primavera chega ao verão (????)
Beltane – Beltane
Seu fogo iluminou minha alma e agora eu espero por você de novo
Beltane – Beltane
As chamas de sua fogueira agora despertam meu desejo
Esse é o dia, grande dia maravilhoso
Com os dois lados, erga sua cabeça com orgulho
Dance na fogueira, êxtase na floresta
Submeta-se a rainha de maio, vôo insano
A musica acabou, rei/rainha em volta da fogueira
A fogueira de Beltane nos chama
Beltane
Beltane

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O LUGAR DA LIBERDADE



Fotografia: Ana Lúcia Frusca,2004.


Não há mansão por rica que seja
que valha o conforto da minha choupana.
No alto as Estrelas, dádiva do Céu,
o Sol e a luz e o brilho da Lua.
Pela mão dos Anjos e seu engenho foi posta de pé
- É esta uma história que hei-de contar.
E o meu Senhor, o Deus das Alturas,
Deu-lhe um telhado feito de colmo.
Na minha morada a chuva não cai
E não há que temer espadas e lanças.
É um lugar onde se goza a liberdade
Jardim aberto sem sebe em redor.
(Autor desconhecido, séc. IX. )
in A Perfeita Harmonia - Poemas Celtas da Natureza
(Tradução de José Domingos Morais)...in Poemário A/Alvim, 2007.

domingo, 2 de novembro de 2008


Birth_of_Venus_(Cabanel)

(...) " A Lua, que até ali permanecera calada, aproximou-se com passos de bailarina e voz de oceano, e me disse as seguintes palavras:

Eu sou Senhora do sangue sagrado.
a meretriz dos sucos vaginais.
sou aquela que encarna o pecado
e habita as grotas infernais.
Fui eu que te dei o desejo
que desenhei no teu corpo
todos os riscos do sexo.
Fui eu que te embalei nos braços
e disse a todas que eras mulher.
Sou eu que ainda te guio
nos descaminhos que inventaste.
Sou eu que sustento as violações
de um corpo que mutilaste.
Tu, que és parte de mim mesma,
esqueceste o lugar que te gerou.
Tomaste um rumo avesso e contrário
e renegaste quem te criou.
Mas tu és lua, mulher e loba,
e serás assim até o instante final.
Não serás ferida,
porque és cura.
Não será dor,
porque és prazer.
Não serás culpa,
porque és vida.
Não serás certeza,
porque és abismo!"


(Fragmento de texto retirado do livro: A panela de Afrodite - Márcia Frazão)

sábado, 1 de novembro de 2008

ORAÇÃO CELTA


Imagem: simone Creations



Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.

Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.

Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!

Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica, só se sente.

Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.

Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

Namastê!!

Os sabás wiccanos


Foto cedida pela Witch's VoiceBeltane 2004, um festival em Oxford, Connecticut.

Parte da filosofia wiccana é o eterno círculo da vida. A Roda do Ano é essencialmente o calendário wiccano, e mostra o ciclo interminável.
O ano wiccano começa no sabá (dia sagrado) de Yule, quando a deusa dá a luz ao deus. O deus cresce forte através da primavera e verão, e então no outono, o deus e a deusa se unem. Nesse momento, a deusa fica grávida do novo deus. O antigo deus morre no Samhain (Halloween) para renascer em Yule. Esse ciclo é representando simbolicamente durante certos rituais e é conhecido como o Grande Rito (veja a seção anterior).
No Brasil, alguns seguidores da Wicca se adaptaram acomodando a roda do ano para seguir de acordo com a virada das estações. No entanto, devido à grande extensão territorial e ao fato do Brasil não possuir estações tão definidas, muitos wiccanos preferem manter as datas do hemisfério norte.
Há oito rituais de sabá durante todo o ano:
Yule: celebrado no solstício de inverno e é a celebração da deusa dando à luz ao deus.
Imbolc: celebrado no dia 2 de fevereiro, é o momento no qual os primeiros plantios das safras de primavera ocorrem. Também é considerado o momento de limpeza espiritual e renovação de votos.
Ostara: celebrado no equinócio da primavera em março, esse sabá representa um novo começo, parcialmente porque marca o início de dias mais longos e noites mais curtas. Também marca a união do deus e da deusa e, portanto, simboliza a fertilidade.
Beltane: celebrado em 1º de maio, representa o fim da estação de plantio e o começo da colheita. Também representa a fertilidade, já que a celebração geralmente envolve regras livres de fidelidade.
Litha: celebrado no solstício de verão, este sabá representa o auge da força do Deus. Pode envolver fogueiras para espantar espíritos maus.
Lughnasadh: celebrado em 1º de agosto, é o momento em que a deusa passa o controle ao deus. É o momento de banquetes e festivais da arte.
Mabon: celebrado no equinócio do outono, Mabon representa o equilíbrio entre a luz e a escuridão e as noites começam a ficar mais longas que os dias. É oficialmente o dia pagão de Ação de Graças.
Samhain: celebrado no Halloween, Samhain significa o fim do verão e o início do inverno. Nessa noite, diz-se que os mortos podem se comunicar com os vivos para visitar e celebrar com suas famílias.

Artigo retirado desse site: http://pessoas.hsw.uol.com.br/bruxaria5.htm

Namastê

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

AO SOL


Fotografia de Ana Lúcia Frusca

Eu te saúdo, Sol das estações,
Na tua viagem pelos altos céus.
Rasto indelével no cimo dos montes,
Senhor amável de todas as estrelas.

Mergulhas sereno nas trevas do mar
Ninguém te toca e nada tu sofres.
Depois te levantas da calma das ondas
Como jovem príncipe coroado de rosas.

Extraído do livro O Imenso Adeus - poemas celtas do amor. Tradução de José Domingos Morais.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

POEMA TRADICIONAL A BRIGIT



Tógfaidh mé mo thinne inniui


láthair na nDéithe naofa neimhe,


i láthair Bríd is áille cruth,


i láthair Lugh na n-uile scéimh,


gan fuath, gan tnúth gan formad,


gan eagla gan uamhan neach faoin ngréin,


agus NaohmMháthair dom thearmann.


A Dhéithe, adaígí féin i mo chroí istigh aibhleog anghrá


Dom namhaid,


do mo ghaol, dom chairde,don saoi, don daoi, don tráill,


ón ní ísle crannchuirego


dtí an t-ainm is airde.


TRADUÇÃO:

Eu construo meu fogo hoje


na presença dos Deuses Sagrados do Céu,


na presença de Brigid da forma bonita,


na presença de Lugh de todas as belezas,


sem ódio, sem inveja, sem ciúmes,


sem medo ou horror de ninguém sob o sol


porque meu refugio é a Mãe Sagrada.


Ó Deuses, acendam o fogo de amor dentro do meu coração,


por meus inimigos, por meus parentes, por meus amigos


pelo sábio, o ignorante, e o escravo da coisa mais humilde


até o nome mais alto.





( Autoria desconhecida)

sábado, 25 de outubro de 2008

POEMA DE IMBOLC




Brilha e queima
Versão original: Diane SteinTradução livre: Luazul
A noite se ilumina com velas brancas

A escuridão torna-se luz
Tudo muda, tudo gira
É a festa das chamas
Fogo do coração e da mente
Cintilando faíscas
Que dançam no ar
Nos aquecemos com inspiração

Nós derretemos em inocência
A neve do desejo
Brilha por todos nós

Queima dentro de nós
O calor da espiral da vida
O fogo se cria novamente
Brilhando em todos nós
Queimando dentro de nós
Acordar e levantar é uma necessidade

Brilha por todos nós
Queima dentro de nós
Sua vela é a nossa única fonte

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A CANÇÃO DE ARMEGIN



Sou um vento sobre o mar,
Sou uma onda do oceano,
Sou um som do mar
,Sou um cervo com sete cornos,
Sou uma águia em um penhasco,
Sou uma lágrima do Sol,
Sou a mais bela das flores,
Sou um javali em bravura,
Sou um salmão em uma lagoa,
Sou um lago na planície,
Sou um monte dos poetas,
Sou a ponta da lança que dá batalha,
Sou o deus que criou o fogo na cabeça
Quem explica as rochas das montanhas?
Quem pode interpretar as idades da Lua?
Quem sabe onde o Sol se põe?
Quem leva o gado para fora da casa de Tethra?
Quem é o gado de Tethra que ri?
Qual homem, qual deus faz armas afiadas?
Encantação sobre uma lança - encantação do vento?

* Armegin era o comandante dos milesianos quando de seu embarque na Irlanda. Era um bardo e poeta, e é ele quem negocia a entrada de seu povo na ilha com a deusa Eriu (Eire), prometendo a ela dar seu nome àquelas terras. Irlanda / Ireland (em inglês) = Terra de Ire (Eire).
Paz, Amor - Sabedoria e Luz.
 
©2007 '' Por Elke di Barros